Serra Fina em 48h: reencontrando os juvenis que habitam em nós.

A Travessia da Serra Fina é, provavelmente, a mais famosa e mais comentada rota de trekking do Brasil. Mesmo quem não é praticante de trekking mas está a par dos temas referentes ao montanhismo e ecoturismo nacional certamente já ouviu falar dela e já ouviu que ela é a “travessia mais difícil do Brasil”.

Presente na minha lista de desejos desde 2015, quando pela primeira vez comecei a me organizar para percorrê-la, uma série de acontecimentos me fizeram adiar a visita. Um dos maiores complicadores para essa e outras trilhas é o número de dias para percorrê-la na maneira tradicional: quatro dias. Quatro dias exigem, para quem possui jornada de trabalho fixa, um feriado prolongado, folga ou férias. Feriados são sinônimo de superlotação em qualquer montanha ou serra badalada, o que gera desânimo. Férias levam ao dilema: torrar férias com algo que posso fazer em um feriado?

Mas o importante na vida é ter os amigos certos e ler os relatos certos. Amigos certos são aqueles que compartilham da mesma ideia: vamos fazer a Serra Fina em um final de semana? Relatos certos são aqueles que contam como é possível realizar a Serra Fina em dois dias, como esse do Chico Trekking. E assim, uma nova alternativa apareceu no horizonte.

Aproveitando o embalo dos treinos para alta montanha e atividades de exploração, sentia que estava apto a realizar a Serra Fina em 2 dias. Essa ideia estava engatilhada e, num belo dia de conversas no Whatsapp sobre projetos para 2019, os amigos Jair Júnior (JJ) e Elisângela (Elis) puxam a ideia e um objetivo comum é estabelecido. JJ e Elis já haviam percorrido a SF em outras ocasiões. Para mim, seria a primeira vez na Serra Fina e a segunda na Mantiqueira.

No final das contas decidimos sair de Brasília no final do dia em uma sexta-feira, pegando um voo para São Paulo e ir direto para Passa Quatro, MG. E depois, voar de São Paulo para Brasília no início da manhã na segunda-feira, chegando a tempo para trabalhar. Acabamos comprando o voo de volta saindo de Campinas, o que barateou a passagem mas acrescentou uma taxa extra para a devolução do carro, que dividida entre três pessoas acabou compensando. No desenrolar dos dias, definimos que dormiríamos em Passa Quatro na sexta e, no domingo, após finalizar a travessia, iríamos direto para Campinas e dormiríamos no aeroporto. Tudo bem cronometrado mas meio afobado. Definitivamente reencontrando os juvenis que habitam em nós.

Impressões gerais e comentários:

A Travessia da Serra Fina é, de fato, uma trilha pesada e exigente mas, em minha opinião, é exagero considerá-la a mais difícil do Brasil. Talvez já tenha sido quando o caminho era fechado e navegação por GPS era coisa rara, mas quem já andou na Serra do Mar Paranaense sabe que atualmente há coisas muito mais “casca-grossa” por aí.

Mas de maneira nenhuma deve ser subestimada e indicada como uma primeira experiência para iniciantes. É uma travessia técnica e de respeito, que exige além de preparo físico adequado, um bom planejamento, conhecimento de técnicas e equipamentos e capacidade de navegação, principalmente após a Pedra da Mina. O desnível é grande, o que exige muito das pernas – em especial joelhos. Apenas como exemplo, venho trabalhando elasticidade, força e equilíbrio através do Pilates há quase dois anos, e ainda assim senti dores na lateral do joelho – o que não acontecia há muito tempo. Felizmente havia as águas geladas da Cachoeira Vermelha na base da Pedra da Mina para aliviar.

O formato em dois dias não é indicado para iniciantes, mas me parece a melhor opção de visitação à Serra Fina atualmente para aqueles que disponham de bom condicionamento físico e capacidade técnica. Ainda que mais exigente que os formatos de 4 ou 3 dias, há vantagens que compensam:

  • Evita uma provável disputa de lugares para pernoite no Capim Amarelo e Pico dos Três Estados;
  • Facilita a logística da água, possibilitando o reabastecimento no Quartzito, e base da Pedra da Mina antes do pernoite. No segundo dia, reabastecimento no Vale do Ruah para todo o trecho final da Travessia (em caso de pernoite adicional, seria necessário água para pernoite e todo o dia seguinte). Recipientes para 3L são suficientes.
  • Possibilita um alto grau de contemplação sem exigir dias além de um final de semana;
  • Possibilita a redução de peso e volume do equipamento e mantimentos necessários;

Quanto à beleza, realmente é singular e não perde em nada para outras trilhas brasileiras e mundo afora. O entardecer durante a subida da Pedra da Mina foi um dos mais lindos que vi na vida, com o laranja cobrindo tudo e a todos no horizonte. A visão do Vale do Ruah, dos vales de granito no caminho para o Pico dos Três Estados, o mar de nuvens no Alto dos Ivos com Agulhas Negras ao fundo. Cenários únicos. Uma trilha padrão exportação.

Um aspecto infeliz na Serra Fina é a total ausência de manejo na área, apesar de estar em uma Área de Proteção Ambiental Federal (APA da Mantiqueira). Ambientes de montanha são naturalmente sensíveis, dado ao solo ralo, presença frequente de espécies raras e nascentes. A trilha muitas vezes segue cortando diretamente as curvas de nível, o que tem provocado e continuará provocando erosão. Há trechos onde o solo já se foi há muito tempo, expondo rochas que sabe Deus se estão firmes ou se continuarão firmes. O Vale do Ruah é provavelmente uma das áreas mais sensíveis e é pisoteado á esmo (inclusive por esse que vos escreve) por centenas de visitantes ao longo da temporada de montanha. Somado a isso têm-se o lixo e dejetos deixados por visitantes mal-educados. Todo esse impacto em uma área de nascentes. A Serra Fina precisa de manejo urgente: intervenções, mutirões de conscientização. Governos municipal, estadual e federal e as associações esportivas e do setor turístico da região – os principais beneficiários da Serra Fina – são os mais indicados atores para iniciar e conduzir esse processo.

Outro aspecto infeliz a ser destacado, é a superlotação da montanha e a falta de preparo de muitos visitantes. Uma vez instagramizada, a montanha perde seu valor de desafio e elemento a ser respeitado, tornando-se um mero meio para saciar o ego e a necessidade de exibição e aceitação de boa parte dos frequentadores. As montanhas são para todos, mas nem todos são (ou estão aptos) para as montanhas.

Equipamento utilizado e peso:

Como venho estudando e adotando a redução de peso e volume do meu conjunto de equipamentos para trilhas já há algum tempo, consegui uma configuração que possibilitou todo o conforto ergonômico e térmico em 43 litros, evitando peso desnecessário e eventuais enroscos na vegetação. O peso total do conjunto ficou entre 12 e 13 kg, incluindo água e alimentos, o que pode ser considerado como Lightweight e é, ao meu ver, um bom número, em especial por não conter equipamentos topo de linha e de marcas famosas ou caras. A composição do kit foi a seguinte:

  • Mochila Trilhas & Rumos Alpina 43 (1,4 kg)
  • Barraca 3f LanShan 1 (0,94 kg)
  • Saco de Dormir MEC DRACO -5 (1,3 kg)
  • Isolante REI-Coop Flash (0,425  kg)
  • Fogareiro MSR Rocket 2 (0,082  kg)
  • Panelas Bushcraft  (0,247 kg)
  • Anorak Mountain Hardwear Men´s Finder (0,38 kg)
  • Jaquela de Pluma Quechua FullDown (0,29  kg)
  • Segunda Pele Quechua (0,4  kg)
  • Gorro Fleece (0,02 kg)
  • Calça Fleece Quechua (0,24 kg)
  • Luvas Polartec Black Diamond (0,04 kg)
  • Chinelos de hotel (0,048 kg)
  • Tripé Gorillapod (0,410 kg)
  • Bolsa de hidratação Quechua 2L (0,105 kg)
  • Garrafas de Gatorade (0,04 x 2 = 0,08 kg)
  • Shit tube (0,07 kg)
  • GPS Garmin 64s (0,260 kg)
  • Rastreador Spot Gen3 (0,136 kg)
  • Lanterna de cabeça Black Diamond Spot (0,057 kg)
  • Powerbank Anker PowerCore 13000 (0,260 kg)
Equipamentos utilizados para a travessia da Serra Fina em 48h. O shit tube é um pote plástico com tampa de rosquear roxa (à esquerda), muito mais leve (e fácil de carregar que o tradicional feito em PVC.

Acabei abrindo mão de levar minha câmera DSLR por três motivos: 1) representaria cerca de 1,3 kg a mais; 2) não havia espaço dentro da mochila e teria que levá-la na alça, o que não é confortável com a mochila escolhida, conforme já experimentado em outras ocasiões; 3) as câmeras dos celulares, em especial da Samsung, possibilitam fotos excelentes.

A alimentação foi pensada de forma a obter a melhor relação entre valor nutricional, tempo/facilidade de preparo,  peso e volume. Consistiu em:

  • Lanches: GORP (M&Ms + uva passa + amendoim); Frutas desidratadas (abacaxi e manga, pois são saborosos); Chocolate Talento
  • Café da Manhã: granola e leite em pó
  • Almoço: Pão sírio e patê de atum
  • Janta: Spaguetti ao óleo com manjericão desidratado e queijo (chamado por mim de “Pesto simplificado”)

Relato da viagem:

Dia 07/06/09 partimos de Brasília. Às 19:40 já estávamos em Guarulhos. Pegamos o carro na locadora e partimos, fazendo apenas uma ou duas pausas, numa delas para pegar as jaquetas e aquecer o corpo. O frio da Mantiqueira mostrava suas garras. Chegamos em Passa Quatro às 00:30 do dia 08/06, com tempo somente de tomar uma ducha e dormir. Pernoitamos no Hostel Serra Fina, conforme combinado com o Felipe, que também providenciou a compra do botijão de gás para nós, visto que não poderíamos despachar no avião. O pernoite em quarto coletivo ficou R$ 65,00 para cada, incluindo o café da manhã.

SF DIA 1 – Toca do Lobo-Pedra da Mina
Acordamos por volta das 6h. O café da manhã do Hostel estava bem servido. O transporte até a Toca do Lobo seria com nosso carro alugado e quem nos levou foi um amigo do Felipe e da Patrícia, que esqueci o nome.  Até onde me lembro, chegamos no Refúgio Serra Fina entre 8:00 e 8:30. A estrada logo depois do Refúgio Serra Fina estava bem ruim, com uma descida bastante lameada que indicava que o carro não subiria na volta. Assim, optamos por descer ali mesmo. Acrescentou alguma distância a mais, mas nada tão significativo.

Toca do lobo. Início da travessia.

O dia estava movimentado na Serra Fina, com grupos de corrida de montanha, grupos fazendo a travessia e outros para pernoite no Capim Amarelo. Apesar disso a trilha não estava lotada e era possível prosseguir em um bom ritmo. A subida até o Capim Amarelo foi muito tranquila. Não vi grandes dificuldades e dei uma zoada: “Mais difícil do Brasil?”. A zoada foi apenas para divertir, pois não se deve conclusões precipitadas. Até porque o Capim Amarelo é só o aquecimento. Depois dele é que a diversão começa, com uma baita de uma descida, e depois uma baita de uma subida em direção ao Morro do Melano.

Passo dos Anjos.

Por volta do meio dia paramos no lageado antes de continuar a subida do morro do Melano, para aproveitar a vista e almoçar. Na sequência durante a subida do Melano cruzamos com um senhor de mais idade bastante raíz: estava percorrendo a Serra Fina sozinho, em dois dias, navegando com mapa e bússola. Conversamos brevemente e nos despedimos. Cruzaríamos com ele em mais duas ocasiões nesse dia – antes de subir a Pedra da Mina – e duas no dia seguinte.

Entre vários sobe-desce, chegamos nas proximidades da Cachoeira Vermelha um pouco depois das 17:30. Eu e JJ descemos até a queda para abastecer as garrafas. Eu ainda aproveitei para mergulhar meus joelhos nas águas extremamente geladas e evitar alguma lesão, pois estavam começando a latejar. A descida até a parte baixa da cachoeira é bem ingrata, assim como a volta. E é desnecessária para quem quiser apenas abastecer de água, pois o córrego é acessível na parte alta, na base da Pedra da Mina.

Prosseguimos morro acima e, à medida que subíamos, o Sol baixava e tons alaranjados cobriam tudo e todos no horizonte. Um fim de tarde magnífico. Aceleramos o passo e chegamos na parte alta ainda com o mínimo de luz para assinar o livro de cume. A noite então caiu, e com ela a temperatura. Nos agasalhamos e começamos a caçar um local adequado para armar as barracas. Não foi tarefa muito fácil, pois boa parte já estava ocupada pelos que subiram apenas a Pedra da Mina via Paiolinho e alguns outros grupos realizando a travessia. Felizmente conseguimos dois bons lugares.

O laranja toma conta da paisagem. Trecho final da subida da Pedra da Mina. (Foto: Jair Junior)
Mantiqueira no fim do dia.

Nessa travessia optei pela minha barraca 3F LanShan, que já venho usando em trilhas no Planalto Central. Adquirida pelo AliExpress e de preço bastante acessível, se destaca pelo baixo peso e volume: apenas 940g e alta compactação. Além disso, é bastante prática, espaçosa e bem construída, com o contraponto de não ser autoportante, sendo necessário o bastão de caminhada para montá-la. Em breve será disponibilizado um review deste equipamento.

Barraca 3F LanShan 1. Aprovadíssima

Abrigo garantido, hora da janta. A receita de macarrão ao óleo com manjericão desidratado e queijo foi certeira. Rápida de preparar, gostosa e nutritiva. Se o cardápio escolhido foi um sucesso, o mesmo não se pode dizer dos chinelos de hotel. Apesar de leves, não isolam em nada o frio. O pé ficava cada vez mais gelado e eu precisava me movimentar e movimentar os dedos com certa frequência. Ótimos para carregar, péssimos para esquentar. Aprendizados.

Antes das 21h já estava deitado. Nesta travessia estava estreando meu saco de dormir MEC Draco -5, que trouxe do Canadá. Não passei frio. Em contrapartida, minha cabeça, por algum motivo que não identifiquei até hoje, estava bastante agitada e demorei a pegar no sono.

SF DIA 2 – Pedra da Mina-Sítio do Pierre
O plano era acordar cedo no segundo dia para assistir ao nascer do sol e, depois, iniciar a caminhada às 8h. O primeiro objetivo foi cumprido, o segundo passamos longe. Estávamos meio lentos e enrolados e acabamos iniciando a caminhada depois das 9h.

Amanhecer na Pedra da Mina
Partiu Sítio do Pierre. (Foto: Jair Junior)

Iniciamos a descida da Pedra da Mina e eu fiquei encantado com o visual espetacular do Vale do Ruah. Já no Vale fizemos uma curta pausa para retirar as roupas quentes e passar protetor solar. Os ratos nativos nos espreitavam, e ousavam alguma aproximação na esperança de abocanhar algo nas mochilas, mas eram constantemente dissuadidos por nossas palavras de ordem: “xoo”, “sai desgraça”, “ooo”.

A passagem pelo Vale do Ruah foi um misto de encanto e tristeza. Encanto pela paisagem e pelo gelo formado em alguns locais, tristeza por encontrar lixo, inclusive papel higiênico, em um ambiente tão sensível e de nascente. É desolador que as pessoas defequem na nascente do córrego onde, mais à frente, elas e todos os outros abastecem seus cantis. Ainda mais porque não há outra opção ali. Outra questão que gera preocupação é que o solo ali é bastante frágil e fofo, com alto potencial de erosão. Como não há uma rota definida, todos andam à esmo, procurando a melhor passagem para não mergulhar as botas na água gelada ou na lama preta.

Gelo, sinal de uma noite fria!

Não sou expert no tema nem na geologia do local e manejo de trilhas, mas ali me parece ser urgente a implementação de sinalização – se havia, não percebemos – e talvez uma intervenção como passarela/pinguelas para garantir a preservação do solo e nascentes, mais do que para facilitar a vida dos trilheiros.

No meio do caminho avistamos o senhor que conhecemos no dia anterior, subindo o morrote após o Vale por um caminho nada óbvio e fácil. JJ gritou avisando que não era por ali. Depois de vencermos o mar de capins gigantes que dominam o Vale do Ruah e os buracos do solo, chegamos ao córrego. Alguns poços ao longo do caminho eram bastante atrativos para um banho por sua beleza e limpidez, mas a baixa temperatura era suficiente para fazer-nos seguir em frente. Além disso, seriam dois dias em um e não havia tempo para essas sandices e choque térmico.

Cruzando o Vale do Ruah. (Foto: Jair Júnior)

Cruzamos e passamos mais alguns grupos, tentando cobrir o máximo de distância no menor tempo possível. Não estava mais monitorando os horários, apenas desfrutando da paisagem. Gastamos alguns minutos contemplando e tirando fotos no Vale das Cruzes, apreciando as imensas paredes de granito. Passamos rapidamente pelo Cupim do Boi e descemos. No bambuzal paramos para almoçar e descansar. Ficamos lá entre 20 e 30 minutos. Prosseguimos para o Três Estados, na minha opinião a subida mais exigente em termos físicos e de atenção de toda a trilha. A inclinação é grande, há partes escorregadias e o solo está, também, erodindo, expondo as rochas. No alto do Três Estados, mais fotos e apreciação do mar de nuvens. Se estávamos nos sentindo fortes e realizados por percorrer a Serra Fina em dois dias, fomos humilhados por um corredor que chegou: estava prestes a fazer a travessia em apenas 16h! Depois de uma rápida conversa ele se despediu e seguiu, e eu fiquei imaginando como ficam os joelhos desses seres no final do dia.

Aquela foto posada no Vale das Cruzes. (Foto: Jair Júnior)
Mar de nuvens no Pico dos Três Estados.

A descida do Três Estados é íngreme como a subida, exigindo atenção igualmente. Mas é tão divertida quanto. Mais um pouco, acredito que eram 17h, e estávamos no Alto dos Ivos, ou melhor, no “High of Ivos”. Isso porque fizemos umas gravações bestas simulando um vídeo promocional da Serra Fina (Slim Sierra), ao estilo dos vídeos do Department of Conservation da Nova Zelândia para divulgação das Great Walks do país. Apesar de engraçado que todos os vídeos consideram a sua trilha como a “the finest”, “the ultimate”, são vídeos muito bem produzidos e extremamente eficazes para gerar vontade de ir pra lá. Além disso, fornecem detalhes e dicas para cada trilha. Elis aproveitou para ligar para a Paty. Na ligação foi indagada se havíamos visto um senhor de mais idade que estava sozinho fazendo a trilha. Informamos que a última vez que o vimos fora antes da subida do Três Estados. “Será que vai virar notícia?”, pensamos.

Enquanto Elis falava ao telefone eu sentei, comi alguma coisa e descansei. O cansaço estava começando a bater forte, assim como uma vontade de dormir. Mas ainda havia chão pela frente para caminhar, e depois para dirigir. Iniciamos a descida do Alto dos Ivos. A qualquer oportunidade de ganhar terreno, aproveitávamos. Havia uma névoa no ar. Quando atingimos a área do Senhor dos Anéis – zona de mata que lembra as florestas do filme – o sol começava a baixar: golden hour para fotos, hora de apurar o passo para nós. O restante do caminho foi tranquilo. A temperatura e a noite caíam à medida que o tempo passava. Chegamos ao último ponto de água com os últimos suspiros da luz, entre 18:00 e 18:30. Headlamps na cabeça, anoraks vestidos.

Como o trecho final é todo em estrada, a progressão foi tranquila apesar da noite. Passamos o Sítio do Pierre, ótimo local para um filme de terror e mais à frente passamos uma casa, onde fomos gentilmente recebidos pelo morador que não recordo o nome, e mais uma vez indagados sobre o senhor solitário. Repetimos a informação de que o último contato feito fora antes do Três Estados e estimamos que ele levaria entre 1 a 2h para chegar ali.

Pouco depois das 19h estávamos na rodovia. Assim que aparecemos um carro ligou o farol, mas era outra pessoa esperando outro grupo. Patrícia chegou alguns minutos depois e, para nossa alegria, com pastel e guaraná. É o tipo de agrado que faz diferença.

Voltamos para o Hostel em Passa Quatro para tomar banho e arrumar as coisas (obs.: o banho é à parte e custa R$ 15,00). Enquanto Elis e JJ se arrumavam, aproveitei para cochilar. Estando todos limpos e decentes e com as mochilas devidamente arrumadas, fomos saborear uma deliciosa pizza artesanal feita pelo Felipe, na Pizzaria anexa ao Hostel. Altamente recomendada!

Já era perto das 22h. Barriga cheia, corpo cansado, hora de ir. Quem assume a direção? O ideal – e fica aqui a recomendação – é que houvesse alguém para dirigir ou tivéssemos mais um dia. Mas não era o nosso caso. Votamos em alternar, e Elis se dispôs a dirigir até que não aguentasse mais. JJ dormiria e eu iria acordado para segurança. Acabou que mais dormi que prestei atenção. Estava bastante cansado e não conseguia me manter acordado. Certamente foi uma das minhas maiores lutas contra o sono na vida. Felizmente a Elis, além de corredora, gosta de dirigir e decidiu dirigir todo o caminho.

Por volta da 1h da manhã optamos por parar em um posto de atendimento ao usuário e cochilar um tempo para descansarmos. Ficamos ali entre 1 e 2h e prosseguimos até o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, onde chegamos antes das 4h. Lá fomos direto para o estacionamento e nos ajeitamos no carro. Fiquei meio encolhido no banco de trás, relembrando os tempos de criança e outros episódios de dormir no carro. Nada confortável, mas era o que tínhamos, pois não valia a pena irmos a algum hotel.

Assim que a locadora abriu, às 6h, devolvemos o carro e corremos para despachar o duffel e embarcar. Foi corrido, pouco confortável, mas valeu a pena. Plano cumprido com sucesso. Acabados, mas satisfeitos.

CONTATOS:
Patrícia (Resgate): 35 99564730
Felipe (Hostel/Pizzaria Serra Fina) 35 97203939

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